Marrakech I

23.10.18


Tudo isto começou - e voltamos muitas vezes a esse momento em conversa entre as três - com um presente de Natal que os nossos maridos nos ofereceram há uns anos atrás: uma viagem a Madrid. Marcaram a casa, as passagens e um restaurante maravilhoso e puseram tudo isto dentro de um envelope que eu me lembro de abrir como se tivesse sido ontem. A minha primeira reacção foi de espanto, depois medo. Nunca tinha estado longe dos miúdos (na altura só dois) mas acho que o André sabia o que eu precisava melhor que eu e foi um presente maravilhoso. Tão acertado que entretanto já vamos na terceira ronda, depois de Madrid veio Roma e agora Marrakech. 
Foi o primeiro destino que conhecemos pela primeira vez e foi uma espécie de fim de semana de descoberta ao nosso ritmo. E foi tão bom. Marrakech tem cores lindas. É uma espécie de mundo à parte, uma cultura tão diferente da nossa apesar de ser mesmo aqui ao lado.
Como tem acontecido nas nossas viagens, também esta teve direito a planeamento gastronómico porque afinal de contas deixamos 8 crianças para trás e queremos aproveitar para nos dedicarmos calmamente às nossas refeições. Vou preparar um post com as sugestões dos sítios por onde passámos   caso alguém tenha curiosidade. Para já, um bocadinho das cores desta cidade.

Porto Santo, Santo...

7.8.18


Desde que o Manuel nasceu - ou melhor, a partir do seu primeiro ano de vida, altura em que tirou o capacete que usava - que fazemos uma semana de férias no Verão no Porto Santo. Vamos sempre mais ou menos na mesma altura, ficamos sempre no mesmo sítio e fazemos mais ou menos as mesmas coisas. E sabe sempre bem. Ou cada vez melhor. Quem conhece o Porto Santo sabe que o tempo pode ser uma incerteza mesmo no Verão e nem sempre temos tido a maior sorte se formos à procura de dias de céu azul e mar calmo. Na verdade nem temos tido assim tanta sorte. Mas gostamos sempre e saímos sempre com vontade de voltar no Verão seguinte. Mas este ano foi uma espécie de cereja em cima do bolo. Foram dias de calor na medida certa com praia de manhã, sestas, e depois até ao entardecer. 


A Isabel, já tem dado bem para perceber, é uma parceira à altura para as brincadeiras dos irmãos. Por vezes até tenho a impressão de que vai conseguir dar-lhe ideias ainda mais mirabolantes do que aquelas que eles já têm. Sinto que esta tripla ainda nos vai dar muito trabalho - para além, claro das muitas mais alegrias. 

Este Verão está a saber-nos  a paraíso e sei que falo por eles. Tem sido um Verão de liberdade, de passar os dias na rua, entre mergulhos e trepar às árvores. Pés descalços e um permanente mudar de fatos de banho - molhados por secos. Foi neste Verão que os rapazes tiveram a primeira noite em casa de amigos. Duas vezes. Eles estão nas nuvens e nós, por contágio também.

Vestido cor de rosa para um Verão Azul

23.7.18

Este foi, provavelmente, um dos Invernos mais longos de que me lembro. Especialmente porque foi o primeiro que passámos longe da casa que nos viu crescer enquanto família. Não foi mau, foi até bastante compensador mas foi, sem dúvidas, povoado por saudades deste nosso jardim com som e cheiro a mar. Foi já a pensar nele - neste Verão - que comecei a tricotar este vestido para mim. Usei este modelo que andava a namorar no IG porque antecipava um trabalho relativamente fácil e rápido com um bom resultado. Não me enganei. Usei a mesma cor que tinha usado para a camisola da Isabel     e mesmo recorrendo a um fio mais grosso, trabalhei com fio duplo conforme o recomendado. Ainda andei ali um bocadinho às voltas com as instruções porque interpretei mal as diminuições mas depois de entrar no esquema foi sempre em frente. Literalmente. É um vestido que se faz naquelas horinhas da noite de televisão durante uma semana (para fazer com calma...).
Usei-o pela primeira vez para um jantar em casa de amigos para onde levei três filhos e de onde voltei com uma. Os rapazes ficaram lá a dormir com os amigos, naquela excitação da primeira noite fora de casa. E eu que estou por aqui sozinha com eles - enquanto o André está em Lisboa até aos nossos dias de férias em família - agradeci a noite dedicada a uma única filha apesar de ter regressado a casa com uma espécie de desorientação. Mas eles gostaram de tal maneira que se prevê que não seja vez única neste Verão.
Por isso este está a ser uma espécie de Verão Azul. Os dias em que trocam de calões de banho molhados, por calções secos para o pijama. Os dias de mergulhos, amigos, casa da árvore e noites que começam no sofá onde adormecem por cansaço.
Este Verão vai chegar ao fim mas as memórias que vai deixar, não.

E sim, adorei o meu vestido, e é um daqueles projetos a repetir!

Em ponto pequeno...

2.7.18

Já tinha este modelo de camisola debaixo de olho há meses. Estava guardado nos ficheiros à espera de ganhar coragem para começar. Li e reli as instruções e apesar de ter uma construção relativamente fácil, seguia um alinhamento que não estou habituada a fazer e implicava a utilização de algumas técnicas que nunca tinha usado como o tricot com quatro agulhas ou a construção "bottom up" que significa uma inversão no sentido que habitualmente uso.

Não vou dizer que seja um modelo difícil de fazer porque não é. Este efeito "rendado" consegue-se facilmente a partir de aumentos e diminuições nas diferentes carreiras e cria uma espécie de estampado que é o toque especial da camisola. Mas é um modelo que requer atenção quando se faz porque implica a contagem dos pontos e essas minhas distrações levaram-me a desfazer o trabalho. Mais que uma vez. Ainda assim, não é uma camisola difícil de fazer, antes pelo contrário. Mas enquanto me lembrar do trabalho que me deu..... :D

Usei um fio de algodão que comprei nos Tricots Brancal e gastei menos que uma meada. Escolhi o rosa apesar de não ser cor que a Isabel habitualmente use - porque eu ainda me sinto muito inclinada para as cores mais de rapazes - porque gostei do tom seco e achei que ia ficar bem. Não me enganei. Estreou a camisola no fim de semana e sujou-a logo, claro, porque os irmãos deram-lhe um restinho de gelado e ela nem pestanejou. 

E de repente olho para esta menina, já com a mania de ser tão senhora do seu nariz e penso que não sei para onde o tempo voou. Penso nisso e na tristeza que é ver começarem a ficar pequenos estes sapatos de que gosto tanto. O tempo está a voar, temos mesmo que aproveitar.

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