Em ponto pequeno...

2.7.18

Já tinha este modelo de camisola debaixo de olho há meses. Estava guardado nos ficheiros à espera de ganhar coragem para começar. Li e reli as instruções e apesar de ter uma construção relativamente fácil, seguia um alinhamento que não estou habituada a fazer e implicava a utilização de algumas técnicas que nunca tinha usado como o tricot com quatro agulhas ou a construção "bottom up" que significa uma inversão no sentido que habitualmente uso.

Não vou dizer que seja um modelo difícil de fazer porque não é. Este efeito "rendado" consegue-se facilmente a partir de aumentos e diminuições nas diferentes carreiras e cria uma espécie de estampado que é o toque especial da camisola. Mas é um modelo que requer atenção quando se faz porque implica a contagem dos pontos e essas minhas distrações levaram-me a desfazer o trabalho. Mais que uma vez. Ainda assim, não é uma camisola difícil de fazer, antes pelo contrário. Mas enquanto me lembrar do trabalho que me deu..... :D

Usei um fio de algodão que comprei nos Tricots Brancal e gastei menos que uma meada. Escolhi o rosa apesar de não ser cor que a Isabel habitualmente use - porque eu ainda me sinto muito inclinada para as cores mais de rapazes - porque gostei do tom seco e achei que ia ficar bem. Não me enganei. Estreou a camisola no fim de semana e sujou-a logo, claro, porque os irmãos deram-lhe um restinho de gelado e ela nem pestanejou. 

E de repente olho para esta menina, já com a mania de ser tão senhora do seu nariz e penso que não sei para onde o tempo voou. Penso nisso e na tristeza que é ver começarem a ficar pequenos estes sapatos de que gosto tanto. O tempo está a voar, temos mesmo que aproveitar.

O Verão a chamar...

29.6.18
cheia de vontade de fazer um projecto mais desafiador há já algum tempo. Já vos confessei que o tricot tem um efeito terapêutico e não digo isto para "fazer género" ou para parecer bem. É mesmo a verdade. É como se a cabeça se concentrasse naquele ritmo e e não tivesse espaço para outras preocupações. O tricot, também já vos contei, é uma ligação que tenho à minha mãe e enquanto o faço revejo-a nos meus gestos e cenários e isso não tem preço. Nem consigo imaginar como é que a minha mãe era um ás tão grande no tricot tendo aprendido sozinha peças revistas francesas que povoam a arrecadação. Eu tenho a sorte de ser de uma geração mais tecnológica e socorro-me muitas vezes do youtube para tirar dúvidas ou aprender alguns pontos novos.
O Instagram também é uma ferramenta preciosa neste campo porque dá a conhecer uma série de pessoas talentosas que partilham ideias, projectos e modelos a que podemos ter acesso. Foi assim que conheci o maravilhoso trabalho da Laerke Bagger em quem me inspirei para fazer este top. Depois, parti da base deste modelo e deitei mãos à obra fazendo experiências até chegar aquela que me pareceu a melhor maneira de trabalhar as pedras nos pontos.

Imaginei diversas maneiras de introduzir as pedras no fio - há várias técnicas - mas segui com a que me pareceu mais natural que foi enfiar uma grande quantidade de pedras que ia depois introduzindo a cada malha desejada. Isto implicou que tivesse, por várias vezes, de cortar o fio para voltar a enfiar pedras e continuar o trabalho.
Nas costas para tornar o trabalho mais leve e porque estava com medo que depois me magoasse nas costas quando me encostasse, optei por um ponto rendado. Perguntaram-me bastante pelo Instagram onde tinha comprado as pedras que usei e a verdade é que as fui comprando por diversas retrosarias e algumas no corte ingles (as mais básicas).
Não podia ter ficado mais feliz com o resultado e já ando a reunir material para uma camisola de Inverno ainda mais carregada de pedras e com manga comprida. Vamos ver se ganho coragem!
Espero que tenham gostado!

Os pequenitos...

26.6.18


No fim de semana, a propósito de um baptizado, fomos passar a noite a Montemor-o-velho. Não tenho nenhuma memória deste local apesar de ter sido o sítio escolhido para os meus pais construirem casa há mais de 35 anos atrás. Nessa altura vivíamos em Coimbra, onde nasci, longe de saber que o destino (e a minha mãe) nos levaria para a Madeira. Depois disso a minha história com Coimbra pouco varia das Queimas das fitas que por lá passei com amigos que estudavam na cidade. Agora, com crianças , uma ida a Coimbra, tinha que incluir uma passagem pelo Portugal dos Pequenitos, pois claro.
Como o dia amanheceu cinzento fomos cedo para conseguir aproveitar a viagem para virem a descansar. Eles e nós na verdade. Que estávamos cansados e a precisar do silêncio da viagem que por vezes consegue ser uma confusão de dimensões inacreditáveis quando começam a protestar todos ao mesmo tempo. Também pensámos que iríamos conseguir sentar e relaxar um bocadinho nesta visita mas a verdade é que com a Isabel a querer explorar tudo, pouco tempo nos sobra :)
Mas o Portugal dos Pequenitos foi um programa vencedor e a prova disso são as fotografias que se seguem e sucedem graças à falta de poder de síntese da autora deste blog.

Um colete e o poder terapêutico do tricot...

4.6.18
Já não é a primeira vez que me refiro ao tricot como uma espécie de terapia de relaxamento. Eu compreendo que, à primeira vista, isto possa ser difícil de entender para quem não faz ou não gosta mas a verdade é que para mim, é mesmo. Em grande parte e provavelmente porque cresci a ver a minha mãe a usá-lo precisamente como isso: um escape para uma profissão bastante exigente. E depois o tricot/crochet tem um enorme benefício em relação a outros trabalhos do género como a costura: precisa apenas do fio e da agulha e portanto é facilmente transportável para qualquer lado. A esse propósito, no outro dia, enquanto esperava uma amiga para almoçar e porque tinha o meu saco comigo, peguei na camisola que estou agora a fazer e comecei a tricotar. Em pleno restaurante. Não demorei muito a sentir os olhares atentos em meu redor e a intriga total. Acho curioso porque se passarmos uma refeição colados ao telemóvel mesmo que tenhamos companhia, ninguém acha estranho mas uma pessoa sozinha a tricotar numa mesa a beber uma água provoca a maior estranheza e curiosidade.Provavelmente também me voltei a debruçar de forma mais intensa sobre o tricot porque as máquinas de costura continuam guardadas algures num caixote num armazém. Mas a verdade é que o tricot, mais do que a costura, tem um poder terapêutico sobre mim. E permite-me continuar sentada à noite do sofá, ao lado do André. Agora, o colete!
Já tinha comprado estes fios quando tinha feito a minha camisola anterior, já com uma espécie de colete em vista. Sabia que o queria comprido e sabia que o queria agora para a meia estação. Inicialmente a minha ideia era fazer-lhe uma manga curta mas depois quando tive a ideia de fazer o ponto de laço junto aos ombros achei que ficava melhor em colete. E os coletes são provavelmente uma das minhas peças de roupa preferidas. 
Parti deste projeto base que depois fui adaptando ao que queria. Uma vez mais usei este ponto para o efeito laço. Ficou exactamente como eu queria e eu não podia ter ficado mais feliz com o resultado final.
Espero que tenham gostado, boa semana!

AddThis