Conclusões *

23.3.17


"Conclusões

É importante começar esta crónica com uma declaração de interesses. Fui mãe, pela terceira vez, há pouco mais de quinze dias. Gosto de apresentar os factos à partida para que prevaleça a honestidade. Neste caso em particular, a honestidade de, deliberadamente, correr o risco de não fazer sentido nenhum nestas palavras escritas o que tem acontecido com enorme frequência com as minhas palavras pensadas.

No meio do nosso dia a dia – de uma família recém designada como numerosa – dou comigo muitas vezes a pensar de como tudo parecia fácil quando eram as nossas avós a fazê-lo. Nesse tempo três filhos eram, para a maioria das famílias, poucos. Seriam por norma mais alguns e ainda assim as mães faziam-no com uma aparente facilidade que me intriga. Especialmente agora em que luto para chegar ao fim do dia sem perder todos os cabelos ou conseguindo a hercúlea proeza de tomar banho com tempo para lavar e secar o cabelo que ainda me resta.

Para não falar na hora das refeições ou dos banhos. Esse exercício de equilíbrio mental. A partir da hora do almoço, altura em que o café começa a deixar de fazer efeito – e em que escrevo esta crónica – estas dúvidas adensam-se. É quando concluo que a única possibilidade é a de que as nossas avós não dessem banho aos filhos. Ou que eles se lavassem, limpassem e vestissem sozinhos. Sem reclamar que não queriam aquele pijama. E muito menos aquelas meias. As mesmas que teriam calçado no dia anterior de feliz agrado. E só posso juntar a estas minhas conclusões que estes filhos tão pouco comiam, ou que o faziam à hora que queriam ingerindo unicamente aquilo que lhes apetecia naquele exato minuto.

Depois de tiradas estas conclusões, já com poucos cabelos e com os que restam, claramente por lavar, adormeço enquanto tento ter uma conversa que não envolva mudança de fraldas, leite ou refeições para o dia seguinte."

* Crónica que escrevi para a  revista Açúcar do Jornal da Madeira neste mês de Fevereiro e que achei que fazia sentido partilhar aqui. "Eu vou conseguir" é agora provavelmente o pensamento que mais vezes repito para mim mesma ao longo do dia! :)


Ultimamente, por aqui...

7.3.17

Ultimamente, por aqui, como devem calcular, os dias têm passado a correr. A voar e a escapar-me sucessivas vezes, por entre os dedos. A uma velocidade estonteante. Tive que chegar ao terceiro filho para ter esta sensação de que não tenho tempo para nada.
A nossa Isabel fez um mês, é uma bebé tranquila (apesar de não nos dar as melhores noites) e continua a ser o encanto dos irmãos. Há rituais que já se instalaram. Os abraços e beijinhos do Manuel e o colinho que o Joaquim insiste em dar todas as noites antes de ir dormir.
As primeiras semanas de vida desta pequenina foram passadas em modo "família intensivo" o que quer dizer que as passámos a cinco, a tempo inteiro, longe de casa, com chuva na rua. Por um lado foi bastante cansativo, para nós, pais. Mas para eles, foi um presente maravilhoso. Entrámos na rotina, habituaram-se à irmã e participaram nas pequenas tarefas e actividades do dia a dia. Quando regressámos a casa e eles à escola já sabiam o que se passava em casa quando iam para a escola e penso que isso foi muito bom para eles e lhes deu uma segurança de que nada mudou com a chegada da Isabel.
Antes de regressarmos a casa tivemos um ou dois dias de céu azul. E o Porto é uma cidade ainda mais bonita com esta luz. Aproveitámos e fomos dar o primeiro passeio com a nossa pequenina a um parque infantil perto de casa. O nosso primeiro passeio a cinco.

Este ano tinha-lhe dito que não conseguia fazer os fatos para o Carnaval. Tive esta conversa por telefone com o Manuel e pensei que ficaria contente por poder ir com um fato de super-herói da loja. Nessa altura fez uma pausa e respondeu-me com a maior naturalidade que queria ir de Hamster. Na impossibilidade de lhe fazermos essa vontade corremos as lojas todas quando ele nos deu a hipótese de ir de cão. Não foi fácil mas conseguimos e ele adorou. O Joaquim mascarou-se pela primeira vez com vontade de o fazer e sem ter que ser convencido. E se querem a minha opinião estava o Buzz mais bonito desde o infinito ao mais além.

De regresso a casa e a estas temperaturas mais amenas, já nos vamos aventurando em algumas saídas com a Isabel. Numa das vezes fomos visitar um novo café no Monte Palace, o Greenhouse Coffeeroaster. O espaço é encantador e a comida maravilhosa. Perfeito para um almoço leve ou um brunch de fim de semana.
Para já apenas é possível ir ao café pagando entrada nos Jardins mas no futuro penso que poderá ser possível ir ao café sem pagar a entrada.

Celebrámos um mês de Isabel com uma ida ao parque e com um almoço de Mac n´Cheese (uso sempre esta receita) o que é garantidamente receita de sucesso para um almoço para os adultos e para as crianças. Se ainda não experimentaram, vão por mim, e experimentem um destes dias.

Claro que uma ida ao parque com estes dois inclui sempre uma dose moderada de nervos de aço. São rapazinhos e gostam de o mostrar a cada oportunidade. Mas como diz o André. Alguma coisa devemos estar a fazer bem porque lá felizes estes dois são. E isso basta-nos.

A nova velocidade dos dias...

27.2.17

A chegada da irmã despertou nos nossos rapazinhos uma série de novos instintos. Andam sempre à volta dela a enchê-la de beijinhos e abraços e querem ser os seus protectores. Auto denominam-se os seus guardiões.
Eles gostam tanto e têm tanta curiosidade em torno da irmã que tentamos sempre incluí-los nestas novas rotinas: banho, refeição, mudança de fralda.
Mas o que querem mesmo é pegar ao colo e assustam-se de cada vez que chora. Por isso, sempre que pedem, tentamos criar um ambiente propício a que fiquem ali a dar mimos à maninha como lhe chamam.

E claro que tudo o que envolva uma cama, envolve, invariavelmente, uma sessão de saltos. Este ar de felicidade estampada nos rostos destes rapazinhos enche-nos a nós por contágio.

Sete dias de Isabel...

20.2.17


A chegada da Isabel a casa foi exactamente como tínhamos imaginado: cheia de amor e rodeada de caos. O mesmo caos em que vivemos o nosso dia a dia. Um caos sem o qual já não sabemos nem queremos viver. Aquele caos de quem tem dois rapazinhos em casa com 3 e 5 anos, cheios de energia e vontade de brincar às apanhadas dentro de portas, que gostam de fazer casas com almofadas e que ocasionalmente gostam de descansar no sofá. A juntar a todo este - para nós já rotineiro - caos, junta-se uma recém nascida e esta família de cinco durante duas semanas, a tempo inteiro, em casa. 

Dito isto, adoro esta primeira fotografia que acho que reflete na perfeição o estes primeiros dias e a pequena sessão de fotografias que fizemos com a Carina Oliveira. Não podíamos ter gostado mais do resultado e esta é apenas uma pequena amostra.

Gosto especialmente da imagem real. De nem uma vez a Carina nos ter pedido para sorrir para a fotografia. Ou para fazer pose. Já tínhamos tido a Carina a fotografar o baptizado do Joaquim e por isso não foi uma surpresa esta sua serenidade debaixo de fogo :)


Perguntam-me muito sobre a reacção dos irmãos à chegada da Isabel e a verdade é que não podia estar a correr melhor. Mesmo apesar de o Joaquim se ressentir um pouco de já não ser o mais novo e não compreender bem porque é que a mana não brinca com eles (a fotografia da Isabel a chorar é o resultado de um carinho mais intenso do irmão). Mas querem sempre enchê-la de beijos e abraços. Querem pegá-la ao colo e temos que andar sempre mais atentos.

É uma espécie de nuvem, esta em que andamos. Exaustos e a tentar desdobrar-nos em mil para não deixar descurar nada (ou tudo). Mas não trocava esta exaustão por nenhum descanso. Aqui, agora, estou onde sempre quis estar.

O primeiro banho...em casa

13.2.17

No regresso a casa tentamos voltar às nossas rotinas com todas as limitações de ainda não estarmos efectivamente na nossa casa (uma vez que tivemos a nossa bebé no Porto e não no Funchal, onde vivemos). Os dias com um recém-nascido em casa já são cheios, mas então com dois rapazinhos em casa, a tempo inteiro, imaginam como, para além de cheios podem ser, desafiantes.

Na chegada da Isabel a casa tentámos incluí-los nas rotinas dela e um desses momentos foi o do primeiro banho. Pus uma destas fotografias no meu Instagram e chamei-lhe a adoração da menina porque é o que temos tido por aqui. Estão encantados. Temos que andar sempre atentos às festinhas e beijinhos especialmente do Joaquim que não mede bem a força e tenho ideia que às vezes acha que ela já é como eles e está pronta para a brincadeira. Também tenta enchê-la de brinquedos de cada vez que começa a chorar com "não chora maninha, não chora!".

A serenidade do banho ainda durou bastante mas claro que uma cama à disposição chamou a um belo concurso de saltos. E isso é normal. Não podemos exigir deles que sejam de repente mini adultos cheios de responsabilidades. Aqui estamos nós, felizes como não achávamos possível, cansados a sobreviver a turnos e cafés, mas prontos para o que a vida nos ofereceu.

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