Este lado da barricada...

16.2.18

É um pensamento ao qual volto muitas vezes: era tudo tão mais fácil quando eu era filha. Tinha todas as certezas e respostas. Hoje, na maioria dos dias, tenho perguntas. Para as quais não consigo encontrar solução. Isto provavelmente acontece em momentos de viragem. Aconteceu com a chegada do Joaquim quando senti que as minhas mãos não davam conta de todos os recados. Falei desse lado B da maternidade aqui. Provavelmente aconteceu com o Manuel também, claro. Mas a chegada do Manuel foi tão assustadoramente difícil que depois de ultrapassados os... desafios (chamemos-lhe assim), tudo foram facilidades e alegrias. 
Agora, com a Isabel e com os meus braços a serem claramente curtos para as solicitações e preocupações, não consigo deixar de pensar nisto. Era tudo tão mais fácil quando eu era apenas filha e do alto da minha petulância achava que tinha as respostas todas. 
Hoje dou voltas à cabeça para encontrar, nem digo respostas, mas pelo menos possibilidades. Porque cada um dos meus filhos é único e especial. E cada um precisa de mim à sua maneira. Diferente dos irmãos. 
Preciso de acompanhar o Manuel nesta complexa descoberta das palavras escritas e dos números e das contas. Preciso de estar ao lado da Isabel nas suas noites ainda mal dormidas, na sua descoberta incessante do mundo. Pelo meio não posso descurar o Joaquim que quer sempre a atenção absoluta da mãe. Preciso pensar como o ajudar melhor nos seus problemas alérgicos e de audição. Preciso procurar médicos e ir às consultas. Preciso pensar como vou encontrar tempo para ajudar o Manuel nos trabalhos de casa com os fins de tarde de correria. Pelo meio preciso perceber como vou lidar com esta vontade da Isabel em comer sozinha e fechar a boca a tudo o que venha em colher. 
Mas há dias em que acho que isto até é o mais fácil. Em que o mais difícil parecer ser esta permanente incógnita de saber se as nossas decisões vão ter o impacto que queremos no futuro. O futuro tem tanto de belo como de assustador. Esta velocidade estonteante a que o mundo evolui, esta pressão cada vez maior sobre os miúdos. Para não falar nesta frágil imagem da felicidade que se espalha pelas redes sociais. 
Tantas vezes, depois de os deitarmos, conversamos sobre isto. Sobre as nossas preocupações. Sobre a falta que as nossas mães nos fazem. A nós e aos nossos filhos. Qualquer uma delas seria um bom contra-peso para estas nossas preocupações, não tenho dúvidas nenhumas. E eu quero acreditar que ambas tiveram dúvidas e medos como eu hoje tenho. Não me quero sentir tão sozinha. Quero acreditar que depois das dúvidas, medos e incertezas chegarei a bom porto como acho que elas chegaram. 
Foi tão mais fácil ser filha. Mas é tão bom ser mãe. Só espero conseguir fazê-lo como elas. 

*e uma fotografia da querida Carina Oliveira. Uma daquelas fotógrafas que tem sempre um brilho especial.

Carnaval, confettis e serpentinas

14.2.18

Este ano o Carnaval passou excepcionalmente rápido. Com pouco tempo para pensar em fazer disfarces acabámos por comprar o que os rapazinhos escolheram vestir: o Bombeiro Jackie e o Manny super Mário. Foram assim para a escola para a festa de Carnaval (na verdade o Joaquim tem andado vestido de Bombeiro há algumas semanas... :) ) mas sem tempo para grandes fotografias na azáfama da manhã. 

Para os compensar da correria que têm sido estas semanas tirámos a terça-feira para dar atenção total aos rapazinhos e, com o bom tempo que estava, resolvemos ir passar o dia a Sesimbra muito porque estávamos cheios de saudades de comer um bom peixe fresco. Como chegámos cedo evitámos toda a confusão de trânsito e estacionamento e conseguimos ainda passear na praia e brincar ao Verão.

Depois do almoço passeamos na avenida enquanto não passava o desfile e gastámos quase todas as serpentinas a ensinar ao Joaquim esta maravilhosa e complexa arte de as atirar pelo ar. A alegria dele de cada vez que conseguia atirar uma era contagiante. Pelo meio, com uma grande plateia a assistir tivemos o Manuel a anunciar a queda de mais um dente (e já vão quatro). 

Foi, como disse o André, um daqueles dias que vamos recordar sempre.
E assim foi, o nosso Carnaval.

Sai um colete para o rapazinho crescido!

12.2.18

Sempre que passo pela retrosaria perco algum do meu poder de síntese e muitas vezes saio de lá com fios para os quais não tenho ainda finalidade específica. Foi o que aconteceu com este Bucos . Foi uma espécie de amor à primeira vista e saí da loja com duas meadas sem saber bem o que fazer com elas.  Depois decidi o ponto que queria fazer. Andava há muito com vontade de experimentar o Loop Stitch. Por fim, e para não arriscar muito, decidi fazer um colete para o Manuel na esperança de que ainda venha a ser usado - pelo menos - também pelos irmãos.

Na verdade fiz um processo totalmente inverso :)). Primeiro o fio, depois o ponto e finalmente decidir o que fazer com tudo isso. Mas não podia ter ficado mais feliz com o resultado final. Depois o André deu a sugestão de pôr um botão para tornar mais confortável o processo de corridas e subidas às árvores e assim foi. Segui a orientação destes modelos que já tinha feito adaptando ligeiramente ao tamanho de agulhas (tive que fazer mais malhas e adaptar o modelo) e acho que resultou bastante bem.
O ponto é facílimo de fazer para quem souber o básico e o efeito é muito bonito. Estou com vontade de fazer alguma coisa para a Primavera para a Isabel. Ou para mim. Vamos ver.

Espero que gostem!

1 ano de Isabel Eufémia...

5.2.18

A nossa menina fez um ano. Não quero parecer lamechas (a verdade é que vive em mim uma lamechas em estado agudo. Culpa de uma combinação explosiva de dois pais lamechas à sua maneira. Adiante.) mas a verdade é que a família que temos hoje é uma espécie de sonho sonhado que um dia se tornou realidade. 
Esta miúda é isto que se vê nas fotografias. É um sorriso à primeira atenção. A boneca dos irmãos. Descansem que também chora. E não é pouco. Só faz o que quer e acha que dormir é para bebés. 

Fizemos um primeiro aniversário em família e para cantarmos os parabéns fiz um pão de ló que cobri com um pouco de cream cheese e decorei com amores-perfeitos (comestíveis) porque achei que nada era mais adequado.

Isabel, quando um dia leres isto, queremos que saibas que és mesmo, um amor perfeito.

Ultimamente, por aqui...

31.1.18

Tenho a sensação de que ando uma espécie de disco riscado por aqui nos temas "andamos doentes" ou "os efeitos da mudança" mas a verdade é que os nossos dias têm tido muito destes assuntos. Nas últimas semanas não houve um dia em que não houvesse alguém doente. O Inverno, neste aspecto, tem sido mais duro. Ainda assim temos conseguido encontrar tempo e vontade para dar a volta a isso e dar pequenas saídas durante os fins de semana. Uma espécie de esticar pernas com uma ida aos parques, um almoço ou passeios ao ar livre a aproveitar o sol. 

Desde Setembro que as batalhas de Beyblades têm sido uma constante nos nossos dias. Uma espécie de pião dos tempos modernos com dezenas de modelos diferentes que, segundo eles, têm poderes e forças específicas. No início não compreendia bem o que gostavam nestes piões mas a verdade é que com a velocidade com que passaram entretanto por nós tantas outras modas, aprendi a valorizar os beyblades.
Acho que é das maiores diferenças que noto nesta mudança de ambiente escolar para Lisboa: a velocidade com que se esgotam as modas de brinquedos. A cada semana é um novo tema, um novo desejo, um novo brinquedo. E nós que sempre estivemos habituados a ter miúdos que pediam pouco e a quem bastava uma árvore e um alguidar de água para brincarem confesso que nos fez alguma confusão. Sentimos que temos que combater esta espécie de sofreguidão e por outro lado não queremos que se sintam excluídos por não terem. Andamos à procura de meio termos. Como termos adoptado como arena (mães de rapazes hão-de entender o que é) a banheira da roupa. 

Juntámos a isso duas carteirinhas da avó Isabel que oferecemos a cada um para guardarem os seus piões e temos diversão e entretenimento enquanto aguardamos pela pizza. 

Lisboa, vai mais devagarinho que não queremos correr, sim?

Sai uma camisola para a mãe...

29.1.18
Lembram-se dos coletes que fiz para os miúdos? Fiquei com este fio debaixo de olho a pensar que queria fazer alguma coisa para mim mas não queria cair no óbvio de fazer mais um colete. Além de que, na verdade, poderia ficar um bocadinho estranho andarmos todos de coletes iguais. Assim, resolvi ir um bocadinho ao lado e deitei mãos à obra para fazer uma camisola. Escolhi a cor mais neutra porque um fio destes em camisola já é mais pesado e achei que nas cores mais escuras podia cansar mais. 
Também preferi deixar as mangas assim mais curtas, a 3/4´s porque me pareceu mais versátil. Escolhi um comprimento curto para a própria camisola porque a maioria das calças que uso são de cintura subida. Como estas que são, provavelmente, as minhas preferidas e que comprei há uns 3/4 anos numa mercearia em Valpaços. Encontrei-as entre os ovos e o leite e vi logo que havíamos de nos entender bem. Não me enganei. 
Uma vez mais parti dos modelos de camisola "top down" e usei este fio. Para quem sabe o básico de tricotar, fazer estas camisolas torna-se muito fácil porque basta saber os pontos básicos, aumentos e diminuições e é muito gratificante ver a camisola a ganhar a sua forma final à medida que se tricota. 
Espero que tenham gostado e ficado com vontade de deitar mãos à obra!
Boa semana!

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