As férias da Páscoa...

10.4.18

A verdade é que estava com algum receio das férias da Páscoa. As primeiras férias passadas quase todas em casa, em Lisboa, com a responsabilidade de entreter dois rapazinhos e cuidar da Isabel. A verdade é que já estou com saudades. Fizemos de tudo um pouco e houve momentos em que me apetecia guarda-los num local à prova de som enquanto conseguia descansar mas a verdade é que tudo se encaixou. Como uma espécie de puzzle.
Em muito contribuiu o André ter feito anos e termos usado esse pretexto para um fim de semana prolongado na Páscoa. Quando andámos à procura de sítios para passar uns dias, procurámos sempre uma espécie a caminho do norte para onde íamos passar a Páscoa e queríamos também um local com piscina interior para que eles pudessem nadar e matar essas saudades. Habitualmente escolhemos ficar em casas mas desta vez não resistimos à sugestão de uns amigos da zona (se não provaram ainda a cerveja artesanal Rapada experimentem! ) e fomos descobrir este hotel.  Como marcámos com antecedência conseguimos um bom preço e ainda tivemos a sorte de nos fazerem um upgrade para um apartamento com 2 quartos. O Hotel é muito bonito, o staff é muito simpático com as crianças e as piscinas interiores, apesar de não serem muito grandes, fizeram as nossas delícias. Aquela rotina boa de pequeno-almoço/passeio/mergulhos/almoço/sesta colectiva/mergulhos/jantar/dormir. Tudo o que estávamos a precisar portanto.

As serras em torno do hotel - Oliveira do Hospital - estão tão desoladoras que não parece ser real. Acho que não é possível fazer aquelas estradas de outra forma que não em profundo silêncio. 

Também ajudou muito a estas férias o Cartão dos centros Ciência Viva que fizemos e que nos permite entradas sem limite por exemplo no Pavilhão do Conhecimento onde eles não se cansam de ir. Isso e as pipocas de micro-ondas combinadas com a possibilidade de gravar filmes na box. Junte-se a programação de filmes animados na Páscoa e ganhámos aqui algumas tarde de cinema. 
Agora, de volta à rotina e à correria dos dias, a verdade é que já sinto algumas saudades das férias. 

puxar pela criatividade (com receita!)...

13.3.18

Esta mudança de escolas trouxe-nos um novo desafio: os lanches diários. E se no início era mais ou menos fácil e tínhamos a desculpa da "fase de adaptação" para embalar lanches com quase tudo comprado, isso foi deixando de fazer sentido com o passar do tempo.
Junte-se a isto dois rapazinhos exigentes que todos os dias perguntam o que vai ser o lanche e o resultado é uma necessidade de puxar pela criatividade não apenas para os surpreender como para diversificar os lanches mantendo-os saudáveis.

Tenho feito muitas experiências para fazer coisas diferentes para eles levarem. Costumo partilha-las nas stories do Instagram e recebo sempre muitas mensagens a pedir para partilhar as receitas. Costumo fazer tudo a olho mas desta vez fui tomando notas para poder partilhar a receita! Aqui vai!

Biscoitos de aveia e banana:  
100 g de flocos de aveia
100g  de farinha de espelta
2 bananas maduras
60 g de manteiga
1 colher de cha de canela
1 gema
100g de cacao para derreter

Modo de preparação:
Pré-aquecer o forno a 180º. Ralar os flocos de aveia com as bananas juntar a manteiga natural, a canela e a gema. Juntar no final a farinha de modo a conseguir a consistência pretendida. 
Estender a massa fina e cortar com formas divertidas e levar ao forno cerca de 12-15 minutos (têm que sair um pouco moles ainda. Acabam de endurecer já cá fora.) 
Derreter o cacao e passar um lado (ou todo) pela mistura e depois deixar a secar em temperatura ambiente. 

Espero que gostem da receita! Se quiserem mais ideias, deixo-vos duas das minhas grandes inspirações reais. A Susana e a Paula. Duas mães com as mesmas preocupações e desafios que eu e que conseguem dar asas à criatividade e ao sabor de forma incrível.

O pão, a receita e outras reflexões...

6.3.18

Cresci a gostar de pão. Das minhas memórias mais antigas estão as torradas na frigideira com a minha avó Irlanda, e as corridas à padaria na aldeia com a minha avó Amélia. E uma das coisas que me lembro bem era de como o pão durava fresco durante dias.  Hoje a maioria do pão que se compra está fresco durante umas horas, se tivermos sorte. 
Já andava a fazer experiências com pão e fermentação lenta em casa há algum tempo mas foi só depois do workshop do ano passado com o Diogo da Gleba que consegui finalmente atingir o pão que queria. Do workshop trouxe não apenas o conhecimento mas também um bocadinho de isco (sourdough starter) para chamar de meu. E isto fez toda a diferença.

Desde então tenho experimentado muitas variáveis da receita base e depois de meses a fazer pão de forma periódica posso dizer que cheguei à receita que resulta melhor para nós para o dia a dia. Aqui vai:

+ 500 g de farinha (misturo muitas vezes espelta e trigo; trigo branco e trigo integral e até por vezes com uma pequena percentagem de centeio)
+ 100 g de isco
+ 10g de sal
+300g de água
+50 g de azeite

modo:
amasso a farinha com o sal, o isco e 250g de água. Adiciono depois 50g de água e continuo a amassar e por fim junto o azeite. Na mesma taça deixo-o para uma primeira fermentação de cerca de 4-5h dando-lhe a volta a cada 1h30. Depois, estendo-o formando o pão e coloco-o no cesto que levo ao frigorífico pelo menos 12h (até 24h dependendo da minha disponibilidade). Em ambas as fermentações cubro com película aderente e com um pano à volta.  
Depois de o tirar do frigorífico, ligo o forno a 220º e deixo aquecer bem. Faço a forma final do pão, faço os cortes (para o pão crescer) e coloco a massa na panela de ferro que levo ao forno tapada durante cerce de 30 minutos. Ao fim desse tempo destapo e deixo cozer por mais 20 minutos ou até me parecer que está com a cor desejada (nunca menos dos 20 minutos). 

Fazer pão tem alguns truques muito simples mas difíceis de exemplificar por palavras por isso acho que ver alguns vídeos pode ser esclarecedor. E para quem estiver por Lisboa e tiver curiosidade o Diogo da Gleba tem dados muitos workshops e acho mesmo que são um bom princípio.

Sempre fui atenta a uma alimentação dita saudável (o que não é o mesmo que dizer que a faço sempre) porque tive na minha mãe o maior exemplo disso antes das redes sociais lançarem sucessivas modas. Muitas vezes dou por mim a rir sozinha porque a maioria das coisas que vejo, já vivi em casa. A minha mãe era a pessoa que fazia a vida mais saudável que alguma vez conheci. Para além de não beber nem fumar, não comia fritos, fazia uma alimentação à base de peixe, legumes e grelhados e não apanhava sol em "horas más". Mas não o fazia por moda. Era uma coisa natural nela. E estas são das minhas memórias mais antigas da minha mãe. Sempre foi assim. Ainda assim perdêmo-la para o cancro. Por isso, quando vejo estas tendências "pseudo-saudáveis" com grandes doses de demagogia fico com um pé atrás. Nada é garantia de nada por mais absurdo que isto possa soar. 
Tenho no entanto, com os meus filhos, as mesmas preocupações que a minha mãe teve comigo. Comemos comida de verdade. Quanto menos rótulos melhor. Pratos coloridos. Doseamos os doces mas não somos fundamentalistas. 
E comemos pão de verdade. Acho que estamos no bom caminho quando os nossos filhos nos pedem para fazer pizzas em casa em vez de nos pedirem para irmos à pizzaria.  

A ver as ondas na Nazaré...

26.2.18

Aproveitámos o fim de semana de sol para rumar à Nazaré para passar o dia. Já tínhamos combinado ir com amigas que lá iam passar o fim de semana mas quando soubemos que Sábado havia um "call para a Big Wave tour" saímos mais cedo para poder ver de perto aquilo que já tantas vezes tínhamos visto na televisão. 
Tenho algumas memórias da praia da Nazaré mas nunca tinha ido à praia do norte. A vista do farol é linda porque se conseguem observar os dois lados e o ambiente por ali era de grande expectativa. Um sem número de surfistas na água com o apoio das motas de água, turistas a chegar a todos os minutos. E nós, claro.

A vista é fenomenal e o mar é mesmo impressionante. Mesmo apesar de não termos visto nenhuma (pelo menos não nos pareceu...) onda gigante. Vimos no entanto o McNamara :)) a sair do restaurante onde fomos almoçar e matar saudades do peixe fresco que é do que mais temos sentido saudades na nossa cozinha. 

Os miúdos, claro, adoraram. Tudo o que envolva ar livre e aventura é com eles. Claro que eles adorarem implica - invariavelmente - que nós cheguemos exaustos ao fim do dia porque eles têm uma energia que parece que nunca acaba. Foi um dia muito bom, passado em boa companhia com amigas de quem tinha saudades de estar perto. E é muito bom, ter esta possibilidade de ir, partir à descoberta e depois voltar a casa ao fim do dia. 
Agora, mãos à obra, que mais uma semana está a começar.

Na lancheira dos rapazes...

21.2.18

Um dos desafios semanais por aqui são os lanches dos rapazes para a escola. Preparar diariamente as lancheiras sem cair na tentação de comprar tudo feito e tentando mostrar alguma criatividade para os surpreender, não é tarefa fácil. 
A fruta e o leite simples (por vezes alternando com iogurtes líquidos) são presenças diárias mas para acompanhar nem sempre é simples escolher o cereal. 

Depois de ver estas barras no IG da Paula (um dos mais inspiradores e criativos que sigo) resolvi experimentar a receita que ela me sugeriu da Dona Hay.
Não a fiz logo porque achei que fosse ser complicada e comprei os ingredientes (todos simples) quando me fui lembrando. No fim de semana resolvi deitar mãos à obra e fiquei mesmo supreendida com a facilidade com que se fazem. Só demora um bocadinho mais por causa dos 20 minutos que tem que ir ao forno mas é tudo incrivelmente simples de fazer. 
Pus um bocadinho de raspas de laranja em cima porque chocolate e laranja é só uma das minhas combinações preferidas de sempre e aqui estão elas. Ou estavam, porque são deliciosas e estão literalmente a voar :)
Experimentem, garanto-vos que não se vão arrepender! 

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